Análise da remuneração do trabalho na formação de riqueza regional: Rio de Janeiro em foco no ano 2024

 


A formação da riqueza no país ou em suas regiões pode ser observada a partir da produção (valor monetário dos bens e serviços finais produzidos no ano) ou da renda (remuneração dos fatores de produção capital e trabalho).

No contexto regional/municipal a disponibilidade de dados é sempre um grande problema e, por isso, optamos por usar apenas o elemento remuneração do trabalho para entender aspectos do sistema econômico regional/local fluminense.

O estado do Rio de Janeiro contabilizou R$19,3 bilhões de remuneração do fator produtivo trabalho em 2024. O setor de serviços concentrou 43,29% seguido pelo setor de administração pública com 25,33%, do comércio com 10,25% e da indústria de transformação com 10,03% no ano.  O setor agropecuário registrou ínfimos 0,27% do total.

Uma visão geral mostra que 69% da remuneração do trabalho no estado está concentrada nas atividades de serviços e administração púbica. Se as atividades de serviços fossem densas em tecnologia e estruturadas em cadeias produtivas de alto valor, seria excelente. Mas, não é o caso. Uma parcela dos serviços de alto valor (petróleo e porto) tem suas cadeias fora do estado, representado renda fugaz, enquanto a outra parcela é representada por atividades de baixo padrão tecnológico com baixo rendimento. Quanto a participação da remuneração na administração pública parece ser preocupante, já que supera o total da remuneração da indústria de transformação e do comércio.

A observação regional mostra diferenças importantes entre as unidades. O Norte Fluminense concentra a remuneração do fator trabalho em 37,5% no setor de serviços e 30,3% no setor extrativo mineral. O setor petrolífero, fundamentalmente, explica essa distribuição, entendendo que uma proporção importante das cadeias produtivas está fora do Rio de Janeiro, fragilizando a capacidade de fixação da riqueza na região. A remuneração proveniente da atividade comercial em 6,2% confirma o quadro de dificuldade do sistema econômico local/regional.

Já a região Sul Fluminense com atividades econômicas de natureza distinta, concentra a remuneração do fator trabalho em 29,41% na indústria de transformação e 28,75% no setor de serviços. A importância do papel da indústria na fixação de riqueza regional/local pode ser observada com a participação de 11,72% na atividade comercial, quase o dobro da participação do comércio da região Norte Fluminense.

A região Baixadas Litorânea, apresenta característica diferenciada das anteriores cujo foco é o turismo. A remuneração do fator trabalho apresenta concentração de 35,76% no setor de serviço e 30,54% na administração pública. O comércio responde com 14,84% da remuneração total, indicando um bom padrão de fixação da riqueza gerada.

As indicações mostram diferenças importantes nessas regiões do estado. A região Norte Fluminense, beneficiária de grande afluxo de capital para investimentos em projetos de base em recursos naturais (petróleo e porto), mostra fragilidade na indústria e dificuldade de fixar riqueza proveniente dos serviços de maior valor agregado.

A região Sul Fluminense, apresenta um perfil industrial mais consistente e garante a fixação de parte importante da riqueza gerada, através das atividades comerciais que respondem com participação mais efetiva.

Finalmente, a região Baixada Litorânea com foco no turismo, concentra a remuneração do fator trabalho em serviços e administração pública com respostas efetivas na remuneração do comércio, indicando boa capacidade de fixar riqueza.

A região metropolitana, com representatividade de 80,73% da remuneração do fator trabalho no estado, apresenta resultados bastante frágeis. A remuneração está concentrada em 43,29% em serviços e 25,33% na administração pública. A indústria de transformação responde com 10,0% e o comércio com 10,21% muito próximo da análise estadual.

As informações geradas neste estudo são fundamentais para o diagnóstico dos sistemas econômicos regionais e o respectivo apoio a formulação de políticas públicas de desenvolvimento econômico. Entretanto, sem vontade política, continuamos na mesma.

 

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