Dissonância Cognitiva
No debate qualificado, especialmente no âmbito da
universidade, Política e
Economia devem ser tratadas como campos científicos, orientados
pela análise crítica, pela evidência e pelo confronto de diferentes
interpretações da realidade. É isso que se espera do ambiente acadêmico.
Entretanto, o que se observa, em determinadas situações, é
o abandono dessa prática em favor do predomínio da ideologia, que passa a
orientar a construção de argumentos de forma compatível com convicções
previamente estabelecidas. Nesse processo, pode ocorrer uma espécie de
deformação da realidade, na medida em que os fatos e as evidências são
interpretados, selecionados ou até mesmo desconsiderados para preservar uma
determinada posição.
É nesse contexto que se pode compreender o fenômeno da dissonância cognitiva:
diante de informações ou evidências que entram em conflito com crenças
previamente estabelecidas, o indivíduo pode desenvolver mecanismos de
interpretação que reduzam esse desconforto, permitindo-lhe preservar sua
posição original.
No campo acadêmico, o problema surge quando a convicção
ideológica passa a se sobrepor à investigação científica. Em vez de permitir
que a análise dos fatos conduza à revisão de hipóteses e posições, ocorre o
movimento inverso: selecionam-se argumentos e evidências que confirmem a
posição previamente assumida. Dessa forma, evita-se o aprofundamento científico
de determinada questão e preserva-se a convicção ideológica, mesmo diante de
evidências que possam contrariá-la.
A
ciência, entretanto, pressupõe justamente o contrário: a disposição para confrontar as próprias
convicções com os fatos, reconhecer incertezas e, quando necessário, mudar de
posição diante de novas evidências.
Comentários
Postar um comentário