O potencial da Construção Naval e possíveis reflexos para a Região Norte Fluminense
O
investimento de R$ 850 milhões no complexo logístico Farol/Barra
do Furado, no Norte Fluminense, retoma o projeto de construção de um
terminal portuário e de um estaleiro voltados à reciclagem de embarcações. O
empreendimento fundamenta-se na demanda potencial por desmantelamento e
reciclagem de embarcações, bem como na prestação de serviços de apoio às
futuras usinas eólicas offshore de geração de energia.
A região
acumula cerca de meio século de experiência na atividade petrolífera.
Entretanto, parcela significativa das cadeias de suprimento continua operando
fora do território, o que limita a internalização da riqueza e reduz os efeitos
multiplicadores sobre a economia regional. Essa preocupação motivou a realização
do 1º Workshop sobre Cadeias de Suprimento na Reciclagem de Embarcações,
promovido pela BR Offshore no IFF, em Campos dos Goytacazes, nesta terça-feira.
Segundo a BR
Offshore, aproximadamente 3,7 mil embarcações deverão ser
recicladas até 2035, exigindo investimentos estimados em US$ 9,9
bilhões. As oportunidades são expressivas; contudo, o ingresso nesse
mercado requer elevado nível de capacitação empresarial, tecnológica e
operacional. Experiências anteriores com projetos dessa natureza indicam que
empresas e trabalhadores da região ainda enfrentam dificuldades para atender às
exigências desse segmento.
Nesse
contexto, o debate abre mais uma oportunidade para refletir sobre o papel dos
agentes públicos e privados no desenvolvimento territorial. A exploração da
Bacia de Campos, que chegou a responder por 82% da produção nacional de
petróleo, encontra-se atualmente em estágio de maturidade. Apesar de
sua importância econômica, essa atividade não foi suficiente para promover uma
transformação socioeconômica consistente na região.
Da mesma
forma, a presença do Complexo Portuário do Açu, instalado há cerca de vinte
anos no município de São João da Barra, ainda não produziu os efeitos esperados
em termos de desenvolvimento regional. Observa-se o fortalecimento de um
enclave econômico gerador de riqueza, enquanto parte significativa da população
permanece em situação de vulnerabilidade, com poucas perspectivas de melhoria.
De toda forma, abre-se uma nova
janela de oportunidades que exige ampla compreensão e planejamento por parte
dos gestores públicos, do setor produtivo e das instituições de ensino e
pesquisa. O fortalecimento da competitividade das empresas locais e a
qualificação da mão de obra regional são condições essenciais para ampliar a
participação do Norte Fluminense nas cadeias de suprimento relacionadas ao
programa de desmantelamento e reciclagem de embarcações, bem como às novas
demandas da economia do mar.
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