Esse projeto visa apoiar, através de análises econômicas conjunturais, o processo de gestão das organizações governamentais e não governamentais oriundas dos municípios que compõem a região norte fluminense.
Receita de royalties cairá cerca de 40% em fevereiro
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Jornal O Dia
Créditos a serem liberados na próxima semana vão ser menores do que em janeiro
AURÉLIO GIMENEZ
Rio - Os valores dos créditos em royalties de petróleo — parcela de fevereiro, referente a competência de dezembro de 2014 — que serão liberados na próxima semana para municípios produtores vão ficar entre 35% e 40% menores em relação ao que foi depositado em janeiro. A estimativa pessimista foi apontada por três especialistas ouvidos pelo DIA. Eles afirmam que a queda — por conta da cotação baixa do barril de petróleo no mercado internacional — deve perdurar por até o fim do ano.
Em agosto do ano passado, o valor do barril de petróleo chegou a ser comercializado a US$ 115. Já em dezembro, atingiu apenas US$ 45, afetando o repasse dos royalties
Foto: Divulgação
Na semana retrasada, o secretário-executivo da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), Marcelo Neves, divulgou planilha com as perdas em participações especiais (PE) de até 60,83%, situação de Casimiro de Abreu. Na média, a queda de PE foi de 26% entre as dez principais cidades produtoras do estado. Agora, ele acredita que o impacto negativo será ainda maior.
“Temos feitos cálculos que compreendem o período de 12 meses. Pelo estudo preliminar, acredito que haverá perda em royalties entre fevereiro de 2014 e agora em torno de 40%”, prevê Neves, que também é secretário de Petróleo de Campos.
Já na distribuição de créditos de um mês para o outro — entre janeiro deste ano e dezembro de 2014 — a baixa chegou a 20,68%, também em Casimiro de Abreu. A perda média de royalties foi de 17% entre os municípios (ver quadro abaixo). Já a perda do Estado do Rio, somente no último mês, foi de 15,81% ou em números absolutos, de R$ 40.319,319,77.
Créditos em royalties
Foto: Arte: O Dia
No começo do ano, o governo estadual também adiantou que as perdas em 2015 devem atingir a cifra de R$2,2 bilhões. Essa projeção leva em conta preço do barril do petróleo brent a US$65 e um câmbio a R$2,65. Incluindo a queda nas receitas dos cofres municipais, o prejuízo pode dobrar.
De acordo com Marcelo Neves, boa parte da redução na distribuição dos créditos de royalties e participações especiais tem ocorrido por conta da queda dos preços internacionais do barril de petróleo. Segundo ele, em agosto de 2014, o valor chegou a US$ 115, já em dezembro atingiu US$ 45. A previsão para 2015 é que gire em torno de US$ 60. E no ano seguinte pode chegar a US$80.
“Voltar ao patamar dos US$ 100 vai ser muito difícil. A produção em todo o mundo está alta e há competição entre os produtores árabes e os Estados Unidos. Quem perde são os países emergentes”, destaca Neves, afirmando que os municípios terão que conviver com a arrecadação menor. “Foram feitos cortes no custeio, renegociação de contratos para ajustar as contas”, acrescenta. Menor produtividade de campos maduros
Além do baixo do preço do barril de petróleo, o economista Ranulfo Vidigal faz outro alerta para a queda na arrecadação dos royalties no Rio de Janeiro: a saturação dos campos maduros da Bacia de Campos. “Está havendo uma queda da produtividade dos campos mais velhos, como o de Marlim Leste, que não vai mais produzir”, afirma.
Segundo ele, há uma variação nos valores em queda para cada município. Rio das Ostras e Casimiro de Abreu podem ter perdas de até 60%. Já São João da Barra, por exemplo, confrontante com o campo de Roncador, a queda na arrecadação é menor, entre 20% a 30%.
Professor da Universidade Norte Fluminense e especialista em petróleo, Alcimar Ribeiro diz que a queda de 40%, em média, nos créditos de royalties e participações especiais não afeta tanto os municípios, pois os gastos com a arrecadação maior nos tempos áureos eram em custeio da máquina pública e não em investimentos.
“Os municípios terão que se adaptar e diminuir o custeio, principalmente com pessoal”, diz.
O STF julga a constitucionalidade da Lei 12.734/12 (alteração na distribuição das rendas petrolíferas) em 06 de maio próximo. A articulação dos municípios produtores traz o argumento de perda da capacidade de investimento em saúde educação, transporte, etc., caso ocorra a distribuição proposta na Lei. Longe de ser contra ou a favor da mudança, quero lembrar que a produção da bacia de Campos evoluiu de 664 mil barris dia de petróleo equivalente em 1997 até o pico de 1.902 barris dia em 2009. Neste ponto a produção representava 81,91% na produção nacional. A partir daí teve início o processo de declínio gradativo da curva, com a produção chegando a 756 mil barris dia em 2025, representando 15,4% da produção nacional. Veja que em três décadas de exploração a bacia se tornou madura e os investimentos migraram para a bacia de Santos. Entretanto, a riqueza transferida para a região a título de compensação do recurso finito não possibilitou os investimentos em infraestrutura econô...
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