A economia rural fluminense exige debates mais aprofundados


 

O debate que se formou em torno do setor agropecuário no território Norte e Noroeste Fluminense com aprovação da Lei do semiárido e, posteriormente o veto integral pelo presidente Lula, preocupa pela rigidez do aspecto politico partidário. Não vou entrar no mérito, pois todos os lados já apresentaram os seus argumentos. Quero deixar alguns elementos que acredito sem eles, pouco adianta a aprovação ou o veto do projeto nas mudanças tão esperadas para setor.

Em 2022 publiquei um artigo na Revista Cadernos de Desenvolvimento Fluminense chamando atenção para o debate sobre a crise econômica do Rio de Janeiro. As frustações com o declínio das rendas petrolíferas trazia a indicação de investimentos no setor agropecuária como alternativa. Entretanto, observei que sem um diagnóstico mais abrangente a alternativa poderia não alcançar o êxito esperado.

Como contribuição o trabalho desenvolveu uma análise sistematizada sobre o setor agropecuário na economia fluminense com base nos fundamentos do modelo de economia rural da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. A pesquisa contou com a contribuição dos maiores especialistas da região.

Basicamente o diagnóstico para validar a premissa da agropecuária como alternativa considerou a sua capacidade para instalar novos paradigmas em substituição aos velhos. Esta era a estrutura: como objetivo é possível substituir o paradigma velho de competitividade da fazenda com foco na renda pelo novo paradigma de competitividade das áreas rurais valorizando os recursos não utilizados?

Como alvo chave é possível substituir o velho paradigma baseado no setor pelo novo paradigma de múltiplos setores da economia rural (turismo rural, manufatura, indústrias TICs, etc.)?

Como principais ferramentas é possível substitui o velho paradigma de subsídios pelo o novo paradigma investimento?

Como principais atores é possível substituir no paradigma velho governos nacionais e agricultores por todos os níveis de governo (supranacional, nacional, regional e local), várias partes interessadas locais (público, privado e ONGs)?

As respostas aos questionamentos não foram nada satisfatórias para o setor no território e de formal consensual identificou-se uma economia rural de baixo padrão para todos os elementos. Predominância da falta de planejamento, dependência de iniciativas individuais, custos de produção elevados, baixo padrão tecnológico, baixa escala de produção, baixa capacidade de gestão, dificuldade de crédito e dependência de subsídios.

Como podemos observar construir uma discussão puramente política envolvendo o setor é um problema e não contribui para as transformações esperadas. O próprio artigo faz indicações importantes para o processo de mudanças.

Os interessados podem acessar o artigo na integra através do link

 https://doi.org/10.12957/cdf.2020.59096


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